FUTEBOL, FEMININO?

Tenho o orgulho de postar esse texto de um amigo/irmão que a vida me deu, um ser humano como poucos; aquele que eu amo conversar, trocar idéias, que me ensina muita coisa, que me faz pensar em muita coisa.


E esse texto, diz muito sobre essa pequena introdução que fiz. Futebol, é um tema sempre abordado por nós. Sim, eu sou uma mulher que gosta e assiste. E já me peguei pensando, que não vejo o futebol feminino do meu time, mesmo torcendo por elas. 


Geraldo Lopes, escreveu a partir do seu ponto de vista,  sobre futebol masculino e feminino e, alguns pontos que permeiam essa "briga" entre homens e mulheres, dentro e fora de campo.


FUTEBOL, FEMININO?


Com o encerramento da temporada aumentou a procura de informações sobre o tema futebol. Bom motivo para algumas reflexões sobre r a conclusão que cheguei é: FUTEBOL, O ESPORTE MAIS FEMININO QUE EXISTE. Sim, fazendo uma análise mais profunda, futebol é muito diferente de esporte de “troglodita”  um monte de homens correndo atrás de uma bola), o futebol é o esporte em que os homens mais apresentam características femininas.


No futebol, o melhor jogador não é o mais forte ou o mais rápido, é aquele que trata a bola com mais carinho (muitas vezes com mais carinho do que trata a companheira). Que não “maltratam a criança” como diriam os locutores mais antigos.


Quantas vezes num artigo elogioso não se escreveu que “tal time pratica um futebol bailarino”? Sim, é porque o futebol está cheio de situações e comportamentos mais ligados ao universo feminino do que parece: abraços depois do gol, aquele amistoso de fim de ano com os jogadores de vestido…


O futebol é considerado o mais democrático, porque para praticar (mesmo quando praticado em alto nível), o jogador não precisa ser o mais forte, o mais rápido, o mais alto.Tendo “talento”, ou seja, tratando a bola com carinho, pode-se tornar um jogador de destaque. Essas características femininas, por mais paradoxal que sejam, podem ajudar a explicar um dos motivos pelos quais o futebol feminino não emplaca.


Ao fazer a opção pela competitividade, a mulher adquire um pouco do instinto do homem. Competitividade é um comportamento menos feminino e não estamos pensando aqui em direitos, as mulheres têm todo o direito de praticar o esporte que tiverem vontade. Qualquer esporte!


O que acontece, é que o futebol feminino não atinge o público consumidor do futebol.

De um lado temos os homens assistindo um esporte “masculino”, com características “femininas”. Do outro lado, temos mulheres assistindo um esporte em que as mulheres deixam de lado algumas características “femininas” para serem competitivas. Não há identificação.


Por isso, ao menos na geração atual, é difícil o futebol feminino emplacar. Nas próximas gerações, com mudanças de comportamento e mentalidade, quem sabe... (aliás, será que essa incorporação da competitividade “masculina” , nas diversas áreas, e a consequente perda de identificação por grande parte das mulheres pode explicar o fenômeno “mulher não vota em mulher”?...algo para refletir)


Dia desses, assisti uma entrevista com um músico da banda do Itamar Assumpção (um dos poetas/músicos que melhor entendiam a alma feminina). O músico contou que Itamar também era jogador de futebol e o entrevistador “tudo a ver, futebol é balé e músculo" (alguém lembrou de Chico Buarque também?).


Enfim, reparem que, a pessoa que se interessa por futebol como um todo (seja homem ou mulher) tende a ser uma pessoa mais atenta e empática (para usar uma palavra que está na moda) do que a média.


“Ah, mas e aqueles violentos, que brigam por causa de time?” Esses são fanáticos...é outra abordagem psicológica. Não é futebol.


Dito isso....partiu assistir um jogo.


Texto publicado por Liih Guimarães em parceria com Geraldo Lopes.

Categoria:Blog da Liih

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